Panorama Da Hotelaria Sul-Americana

Este artigo analisa os resultados e as tendências hoteleiras na América do Sul. Compreendendo os principais desafios e oportunidades do setor, é possível oferecer ferramentas a gestores e investidores na elaboração de estratégias.
Cristiano Vasques

Apresentação

Temos o prazer de apresentar a terceira edição do Panorama da Hotelaria Sul-Americana, uma publicação anual da HVS/HotelInvest (em associação com a STR) que apresenta e analisa o desempenho do setor em alguns dos principais mercados da região.

A cada ano nos dedicaremos a disponibilizar informações recentes e confiáveis, além de transmitir os desafios e as oportunidades dos principais mercados hoteleiros da América do Sul. Temos a certeza de que um mercado informado e transparente é um mercado mais sólido e profissional. Acreditamos que o Panorama se tornará cada vez mais uma ferramenta essencial para hoteleiros, desenvolvedores e investidores, apoiando-os na formulação adequada de suas estratégias comerciais e de investimento.

Caso desejem manter-se em dia com as novidades da HVS/HotelInvest, sugerimos que visitem nossas páginas da internet (www.hvs.com  e www.hotelinvest.com.br) e que nos sigam no LinkedIn (HVS | HotelInvest).
 

Nossa Amostra

A extensa base de dados do Panorama está formada por dados da STR, complementada com registros internos da HVS/ HotelInvest e com dados disponibilizados por terceiros. Agradecemos a todos os que contribuíram para a realização dessa publicação e convidamos novos hotéis, operadores e associações a compartilhar seus dados através da STR para futuras edições, entrando em contato com Patricia Zulato: (55 47) 99201-7002, pzulato@str.com.

A informação aqui apresentada foi produzida tendo como base o desempenho de 80.665 unidades habitacionais com dados de diária em valores nominais e em moedas locais, e contém os principais hotéis em cada cidade. Temos, assim, a certeza de que os indicadores de evolução são um excelente reflexo do que está ocorrendo no universo dos mercados analisados.

Nossas comparações anuais utilizam a mesma base amostral em toda a série histórica, salvo quando existem aberturas ou mudanças significativas de segmentação. Nosso amplo plano amostral é estatisticamente significativo e está especificado abaixo:
 
  • Buenos Aires: 7.828 UHs (38% do universo analisado);
  • Santiago: 8.186 UHs (57% do universo analisado);
  • Bogotá: 7.525 UHs (65% do universo analisado);
  • Lima: 4.267 UHs (48% do universo analisado);
  • Rio de Janeiro: 18.794 UHs (62% do universo analisado);
  • São Paulo: 21.822 UHs (59% do universo analisado);
  • Salvador: 2.434 UHs (27% do universo analisado);
  • Curitiba: 3.088 UHs (32% do universo analisado);
  • Porto Alegre: 2.234 UHs (32% do universo analisado);
  • Belo Horizonte: 4.487 UHs - (39% do universo analisado).

Retrospectiva de 2016 e perspectivas para 2017

Mudança de rumo, boas perspectivas para a América do Sul

Os anos de 2015 e 2016 foram de baixo dinamismo econômico na América do Sul. Como pano de fundo global, contribuiu para a modesta performance regional a desaceleração econômica mundial e a queda no preço das commodities, que prejudicou os países exportadores de matérias primas. Aos fenômenos externos, somaram-se fatores regionais, como a ascensão de novos presidentes ao poder e, em alguns casos, má gestão dos governos e fracasso em reforçar o marco institucional no combate à corrupção. Ainda que os países da região, com exceção do Peru e do Paraguai, tenham apresentado desaceleração, a recessão regional se explica principalmente pelas crises internas da Argentina, do Brasil e da Venezuela. A boa notícia é que já se espera uma mudança nesta tendência a partir de 2017. Por um lado, na maior parte da América do Sul os governos estão se redirecionando da esquerda à direita, com a implementação de reformas focadas em equilibrar a economia e a melhorar o clima de negócios, o que deverá produzir maior crescimento econômico. Por outro lado, as melhores expectativas para o entorno global e regional, preços superiores de matérias primas e planos de investimentos governamentais favorecerão as economias sul-americanas. A saída dos Estados Unidos da Aliança do Pacífico poderia impulsionar a formação e o fortalecimento de blocos regionais, com impacto positivo para os integrantes.

Na Argentina, o primeiro ano de gestão do governo Macri marcou uma mudança na forma de conduzir a economia do país. Em 2016, apesar da queda do PIB, fortes ajustes econômicos foram implementados para começar a equilibrar a economia. Ainda que haja reformas pendentes e desafios a resolver, já é possível observar sinais positivos e uma melhora no nível de confiança e no clima institucional e de negócios. Isso, aliado a um contexto mundial e regional mais favorável, fará com que o país volte a crescer em 2017.

No Chile, apesar da queda dos preços do cobre, a recessão no Brasil (importante parceiro comercial) e o descontentamento do empresariado com as reformas implementadas pelo governo, o PIB cresceu 1,7% em 2016, o que demonstra a solidez econômica do país. Para 2017, espera-se uma aceleração da economia, impulsionada pela retomada no preço do cobre e uma perspectiva mais favorável para China, Estados Unidos e Brasil.

Na Colômbia, a desaceleração econômica se acentuou em 2016, principalmente pela queda no preço do petróleo, bem como o déficit fiscal e o crescimento da inflação. Entretanto, no fim do ano o congresso aprovou uma reforma tributária que busca aumentar a receita fiscal e permitir que o país mantenha sua qualificação de crédito em meio à queda das receitas do setor petrolífero. Isso, somado ao avanço no tratado de paz com as FARC, à expectativa de retomada das exportações de petróleo, de produtos agrícolas e da produção industrial, além de investimentos em infraestrutura, corroboram a projeção de maior crescimento para 2017.

O Peru foi o destaque da região. Apesar de as eleições presidenciais, das quais saiu vencedor o candidato pró-mercado Pedro Pablo Kuczynski, terem impedido um crescimento maior, a economia peruana cresceu um atrativo 3,9% em 2016. Isso se deu graças ao incremento das exportações de produtos tradicionais e à recuperação da manufatura. Para 2017, prevê-se uma evolução ainda maior da economia local.

No Brasil, o alto desemprego, as restrições de crédito, a agitação política e a demanda externa débil fizeram com que a economia do país caísse novamente em 2016.  O novo governo implementou uma série de reformas que começou a mostrar sinais de estabilização da economia. Para 2017, projeta-se um crescimento, ainda que moderado, com aceleração a partir de 2018.
 

Oportunidades e desafios para o setor hoteleiro

Retomada econômica indica oportunidades na região

Ainda que o panorama regional não tenha sido muito encorajador em 2016, os países analisados conseguiram forte incremento na chegada de turistas internacionais, com exceção de Argentina e Brasil, que tiveram uma leve queda devido à sua recessão. Em termos de demanda hoteleira, com exceção das cidades brasileiras, todas as cidades analisadas neste estudo mostraram crescimento, tendo Bogotá sido o destaque. Alguns mercados se viram afetados por aberturas de hotéis – principalmente Rio de Janeiro, Curitiba e Belo Horizonte – as quais provocaram quedas de ocupação e, na maioria dos casos, também em diminuição de tarifas. 

Para 2017, ainda que a oferta se amplie em algumas cidades sul-americanas, espera-se que a tendência crescente de demanda se acentue, em linha com a aceleração econômica projetada e a consolidação dos destinos, o que permitirá uma rápida absorção da oferta e que várias cidades e segmentos continuem apresentando níveis atrativos de ocupação e diária média.

Tendo passado o momento de incertezas e atenuado significativamente os riscos, a América do Sul voltará a crescer a partir de 2017. Isso, somado ao histórico de desempenho dos últimos 10 anos, denota possibilidades para a hotelaria na região. Algumas das oportunidades atuais, muitas delas vigentes desde o último Panorama, são:

Captação de investimentos internacionais. Devido à valorização do dólar e à aposta nos fundamentos econômicos da região;

Novos desenvolvimentos em cidades com níveis atrativos de RevPAR e demanda crescente. O desenvolvimento de hotéis dos segmentos econômico e midscale ainda está em fase de estruturação na região. Alguns mercados ainda apresentam oportunidades nos segmentos upscale e luxo. Projetos
de lazer também ganham protagonismo, em especial em destinos com mercado doméstico em crescimento;

Popularização de timeshare e fractional, especialmente no Brasil. Enquanto a hotelaria de negócios apresenta nova queda de desempenho, o crescimento do mercado de lazer continua expressivo. Novos desenvolvimentos tornaram-se viáveis no país;

Melhoria da eficiência operacional para hotéis em operação. Em um mercado cada vez mais competitivo, e com oferta de maior qualidade, o aumento de receitas se torna um desafio, especialmente em países economicamente mais vulneráveis. Nesse contexto, buscar maior eficiência operacional é fundamental para melhorar as margens de rentabilidade. A revisão de processos operacionais e a atuação de asset managers ajudará no alcance de melhores resultados;

Estruturação de novas alternativas de funding. No Brasil, por exemplo, estruturar um condo-hotel deixou de ser uma opção fácil. Por outro lado, um dos maiores riscos do setor foi consideravelmente mitigado: o de superoferta. A vinda de investidores mais qualificados ao Brasil passa a ser mais provável;

As redes têm intensificado os esforços para conversões. A participação da hotelaria independente é predominante na região. O desafio está em encontrar propriedades que atendam às exigências das marcas.
 

Resumo dos Mercados

Argentina – Buenos Aires

Mudança de tendência. Já é possível observar os primeiros sinais de recuperação.
 
 
 
 
  • 2016: ano de transação e redirecionamento da economia. Durante o primeiro ano de gestão, o governo Macri implementou ajustes e reformas a fim de reduzir os desequilíbrios macroeconômicos. Ainda que, como se esperava, isso tenha impactado negativamente sobre o emprego, a inflação e o salário real, afetando o consumo e o investimento, em 2016 foi recriada a base para que a Argentina volte a crescer em 2017.
  • Mudança de tendência e perspectivas positivas para 2017. Apesar de a economia estar em processo de recuperação e ainda haver ajustes pendentes, já é possível observar sinais positivos. Espera-se que a combinação de salários reais mais altos, a melhora da confiança empresarial e a expectativa de maior crescimento regional contribuam para a retomada de crescimento em curto prazo.
  • Desvalorização da moeda permitiu incrementar o RevPAR e a rentabilidade em 2016. Apesar da recessão e da queda no fluxo de turistas durante os primeiros meses do ano, a demanda cresceu moderadamente, acima da oferta, o que permitiu aumentos de ocupação. Esta mudança de tendência em ocupação e um mercado dolarizado permitiram que as tarifas em dólares se mantivessem quase inalteradas, atingindo um incremente de RevPAR de 58,5% em moeda local. Isso impactou positivamente a rentabilidade dos hotéis, ainda que em menor nível, por conta de aumento dos custos operacionais, por conta da inflação e do fim de subsídios a serviços públicos.
  • Oferta estável e retomada da economia indicam oportunidades para novos desenvolvimentos. Com a menor quantidade de hotéis para serem inaugurados, a melhoria nas perspectivas econômicas e as ações implementadas pelo governo para impulsionar o turismo (dentre as quais se destaca a devolução de 21% do IVA aos estrangeiros), Buenos Aires deverá aumentar sua ocupação e tarifa em 2017. Novos projetos começam a ser estudados.

Chile – Santiago

Mercado em processo de absorção da nova oferta. Boas perspectivas de demanda
 
 
 
  • Arrefecimento econômico em 2016. Além da queda no preço do cobre, as reformas trabalhista e tributária implementadas pelo governo e o descontentamento do empresariado com sua gestão, impactaram o clima de negócios e desaceleraram os investimentos no país.
  • Forte incremento na chegada de turistas em 2016. A chegada de estrangeiros ao Chile cresceu cerca de 26% em 2016, principalmente pelo aumento significativo de turistas argentinos, que em grande parte visitam o país por motivo de compras e residem em estados fronteiriços.
  • 2017: ano eleitoral, leve aceleração do crescimento. Ainda que exista desconfiança em relação ao resultado das eleições presidenciais de novembro, espera-se uma leve retomada da economia em 2017, motivada por um incremento moderado dos preços do cobre e pela melhora das expectativas tanto para o Chile como para o resto dos países da região.
  • Crescimento de oferta supera o de demanda em 2016. Ainda que tenha havido um incremento de turistas e de demanda hoteleira em Santiago, o crescimento de oferta provocou queda na ocupação.
  • Queda de 7,1% na diária média em 2016. A queda na diária média durante 2016 se explica por dois motivos principais: a Copa América de 2015, que permitiu a prática de uma tarifa elevada durante o período, e a retração da ocupação em 2016, que tornou o mercado mais competitivo, dificultando aumentos tarifários.
  • Perspectivas positivas de demanda. Espera-se que o turismo internacional cresça a taxas superiores à da economia. Ainda que a ocupação de Santiago seja afetada por novas aberturas em 2017, a cidade tem mostrado uma rápida capacidade de absorção da oferta, o que permitirá manter níveis atrativos de ocupação e diária média.

Colômbia – Bogotá

Alto crescimento de demanda sinaliza uma rápida absorção de oferta
 
 
 
  • Desaceleração econômica em 2016. O arrefecimento de 2015 se acentuou em 2016, com aumento de inflação e desvalorização da moeda. Em dezembro, o congresso aprovou uma reforma tributária que aponta para aumentar as receitas fiscais e permitir que o país mantenha sua qualificação de crédito, apesar da queda das receitas de petróleo, assegurando a estabilidade macroeconômica e o crescimento em longo prazo.
  • Mudança de tendência a partir de 2017. Aumento nos preços das commodities, investimentos em infraestrutura e expansão da produção industrial acelerarão o ritmo de crescimento econômico a partir de 2017.
  • Turismo internacional em forte crescimento. A melhoria contínua da imagem da Colômbia em nível internacional, a assinatura do tratado de paz, as ações promocionais do destino e um câmbio competitivo permitiram que o turismo internacional continuasse a crescer a taxas de dois dígitos.
  • A ocupação cresceu 6,2% em 2016. Assim como a demanda internacional, a demanda doméstica mostrou uma tendência muito positiva em 2016, o que possibilitou que a oferta inaugurada durante o ano fosse absorvida rapidamente, gerando um forte incremento de ocupação.
  • Aumento moderado de diária média. Em 2016, a diária média cresceu, ainda que em menor nível que a inflação. Com uma ocupação média abaixo de 60% e desaceleração econômica, os hoteleiros não viram espaço para realizar maiores ajustes na tarifa.
  • Um horizonte com boas perspectivas. Ainda que haja novas aberturas nos próximos meses, espera-se que o crescimento de demanda consiga superar o de oferta. O fim dos benefícios fiscais para a construção de novos hotéis diminuirá o ritmo de desenvolvimento de novos projetos. Neste contexto, a perspectiva de desempenho do setor é positiva. 

Peru – Lima

Sólidos indicadores econômicos e performance hoteleira destacada
 
 
 
  • Maior crescimento econômico da região. Apesar das eleições presidenciais terem mantido a economia em stand by durante o primeiro semestre de 2016, o Peru apresentou uma aceleração e crescimento atrativo durante o ano, sendo o destaque da região. O incremento da capacidade produtiva de ferro e cobre, por conta da operação de novas minas, a recuperação do setor de manufatura e as exportações de produtos tradicionais foram os principais fatores que explicaram esse desempenho.
  • Expectativa de aceleração econômica em 2017. A imagem favorável do recém assumido presidente e as medidas a implementar, a melhora na demanda internacional e o retorno do crescimento dos investimentos fixos permitem projetar uma aceleração da economia para 2017.
  • A entrada de nova oferta provocou quedas de ocupação. Ainda que a demanda tenha crescido em 2016, seu ritmo de expansão foi moderado, uma vez que os primeiros meses do ano foram fracos para os hotéis de Lima, por conta das eleições presidenciais. O impacto da nova oferta inaugurada em 2016 e no fim de 2015 superou o crescimento de demanda, provocando uma diminuição na ocupação – variável que ainda se mantém em níveis atrativos, 68%.
  • Queda de 1,2% de RevPAR. A queda de ocupação trouxe como consequência um mercado mais competitivo, com aumento de diária média de 2% em moeda local, resultando em um RevPAR menor, com variação abaixo da inflação.
  • Desempenho atrativo e boas perspectivas econômicas. Apesar do aumento de oferta previsto até 2020/2021, o que poderia afetar o desempenho hoteleiro no curto prazo, Lima apresenta excelentes perspectivas de crescimento econômico e turístico. Assim, espera-se que a nova oferta seja absorvida em um prazo curto e a que a cidade mantenha seus altos níveis de ocupação e diária média.

Brasil

Após período de ajustes, a expectativa é de retomada de crescimento
 
 
  • Expectativa de melhores indicadores macroeconômicos já em 2017. O Boletim Focus, prevê leve crescimento do PIB, uma inflação no centro da meta e uma taxa de juros próxima a 9% a.a. Os índices de confiança do consumidor e do empresariado aumentaram e é esperado o início de um novo ciclo de crescimento econômico.
  • Propostas em estudo poderão beneficiar o turismo doméstico e internacional. Dentre elas, as principais são: isenção de visto para visitantes de alguns países (Estados Unidos, Japão, Austrália e Canadá) e liberação de cassinos. O impacto no turismo não será imediato, porém caso aprovadas, tais medidas poderão impulsionar novos negócios em turismo no país.
  • Jogos Olímpicos: vitrine positiva para o país. O evento foi um sucesso aos olhos da mídia e do público, gerando uma percepção positiva em relação ao Brasil. Em pesquisa realizada durante os jogos, 90% do público tinha intenção de visitar o país novamente.
  • Regulamentação de condo-hotéis facilitará a recuperação de desempenho hoteleiro no país. A atuação da CVM no mercado de condo-hotéis, aliada à carência de financiamento no setor, restringirá novos desenvolvimentos pelo país. Em contrapartida, projetos com boas perspectivas financeiras serão beneficiados, pois com maior restrição para o desenvolvimento de novos projetos, um dos principais riscos do negócio hoteleiro, a superoferta, tende a cair e o desempenho dos hotéis em operação tende a crescer em médio prazo.
  • Fractional e timeshare: na contramão da crise, lazer continua crescendo. Como já acontece em mercados maduros, timeshare e modalidades de propriedades compartilhadas vem ganhando cada vez mais notoriedade no país. Diversas oportunidades de novos desenvolvimentos estão em estudo pelo Brasil.

Rio de Janeiro

Após as Olimpíadas, o mercado hoteleiro do Rio tem cenário desafiador

 
  • Olimpíadas: impacto positivo na diária média. Além da imagem positiva do Brasil para o mundo, os hoteleiros locais conseguiram aplicar tarifas elevadas durante o evento, possibilitando um incremento de diária média de 22% no ano.
  • Aumento expressivo da oferta. Por sediar as Olimpíadas, a oferta hoteleira cresceu em mais de 10.000 quartos em 2016. Com o término do evento e a crise no país, os índices de desempenho têm apresentado queda, não havendo indicação de retomada do teto histórico antes de 2020.
  • Eventos e lazer, alternativas de recuperação de desempenho. Com novos hotéis e estruturas de eventos, a indução de demanda de lazer e eventos pode ser alternativa para melhorar o desempenho em médio prazo. Para tanto, iniciativas público-privadas e atenção à segurança pública são fundamentais.

São Paulo

Sem nova oferta, a recuperação será mais rápida que a dos demais mercados
 
 
  • Tendência de valorização dos ativos em médio prazo. Apesar do recuo de RevPAR em 2016, com a retomada de crescimento econômico e as restrições para estruturação de novos projetos, a tendência é de recuperação do valor dos ativos em médio prazo.
  • Maior participação do mercado de lazer. O maior número de shows e atividades de lazer na cidade, atrelado à prática de tarifas mais atrativas aos fins de semana, têm fomentado a hospedagem em hotéis, principalmente no mercado midscale.
  • São Paulo é a cidade com melhores perspectivas para desenvolvimento de novos hotéis no Brasil. Em médio prazo, é o destino com o potencial de recuperação mais rápido no país, pois não teve novos projetos nos últimos anos. Projetos bem localizados, modernos e com marca forte podem ter bons resultados.

Salvador

A cidade teve mais um ano de queda de demanda
 
 
  • Desabamento do Centro de Convenções e fechamento do Pestana Bahia. A cidade perdeu dois importantes espaços de eventos. O Centro de Convenções, que estava em reforma, desabou e não há uma definição sobre a nova construção. O hotel Pestana Bahia, que possuía um centro de convenções, foi fechado em fevereiro.
  • Investimentos em revitalização urbana têm melhorado a imagem da cidade. Os investimentos públicos que vêm sendo realizados no Centro Histórico, no bairro do Rio Vermelho e em toda a orla de Salvador, tornam a cidade mais agradável a moradores e turistas.
  • Novos hotéis. Mesmo com o recém cenário de retração econômica, a cidade ganhará dois novos hotéis em 2017: Adagio Salvador (fevereiro) e o Fera Palace Hotel (março), acirrando a competição no setor.

Curitiba

Em ano de crise, hotéis sentiram a abertura de novos projetos


 
  • Crise e expansão da oferta impactaram o mercado hoteleiro local. Após alguns anos de desempenho estável, a amostra analisada em Curitiba apresentou a maior queda de RevPAR dentre os mercados analisados. Isso devido principalmente à crise econômica e ao aumento de oferta ocorrido em 2016.
  • Perspectiva de queda de desempenho no curto prazo. Com mais inaugurações previstas para 2017 e com crescimento de demanda dependente da retomada da economia nacional, a competição entre os hotéis deverá se intensificar. Para tentar amenizar estes efeitos, os hoteleiros locais deverão estar atentos às estratégias tarifárias adotadas e ao controle de custos.

Porto Alegre

Com baixa perspectiva de nova oferta, os hotéis dependem da retomada econômica
 
  • Uma nova crise de superoferta não é um risco iminente para a cidade. Após a inauguração de novos hotéis em 2014 e 2015, não há perspectivas de um grande número de novos desenvolvimentos em Porto Alegre, ao menos no curto prazo. Em 2017, deverá ser inaugurado apenas um hotel da rede Intercity.
  • Crise local acentua os efeitos da recém recessão econômica nacional. O cenário local é um agravante em termos de demanda. O estado do Rio Grande do Sul está em crise, gerando problemas em serviços públicos e menos investimentos locais. A diminuição da capacidade de indução de negócios pode prolongar o período de recuperação do desempenho dos hotéis na capital gaúcha.

Belo Horizonte

Horizonte de estabilidade da oferta e recuperação gradativa do setor em médio prazo
 
Início de estabilidade na oferta. Após consecutivos anos de aumentos expressivos na oferta hoteleira, 2016 apresentou uma menor entrada de quartos no mercado. O cenário é de início de estabilidade, visto que há poucos projetos com abertura prevista no curto prazo. A ocupação se manteve em patamar estável. Porém, com a retração de tarifas, dada pela concorrência acirrada, o RevPAR continuou caindo.

Belo Horizonte não figura entre os principais destinos de turismo e lazer do país. Com a retomada da economia do país e a estabilidade da oferta hoteleira, os índices de desempenho do setor tendem a começar a se recuperar. Porém, existe a necessidade de investimentos locais em atrativos de lazer e eventos, para aumentar a atratividade da cidade como destino turístico e acelerar o processo de recuperação da hotelaria.
Cristiano has more than 15 years of experience in the Hotel, Tourism, and Real-Estate industry, conducting and supervising more than 250 studies for hotels and resorts throughout South America, Trinidad & Tobago, Angola, and Portugal. He worked for four years on tourism projects for HVS, coordinating the elaboration of regional tourism development plans financed by the Inter-American Development Bank (IADB). He is a permanent columnist for Hotelnews magazine and he has also published several reports on the tourism-real estate market and co-written the Brazilian Hotel Market Overview (HotelInvest / HVS). Cristiano owns the MRICS title from the Royal Institution of Chartered Surveyors (RICS), world leader entity in real state professionals qualification and has a Production Engineering degree from the Polytechnic School of the University of Sao Paulo (POLI-USP) and a post-graduate degree in Tourism and Hospitality Management from the Getúlio Vargas Foundation (FGV) and has also completed a Real Estate-Hotel Finance course at Cornell University. For more information contact Cristiano at cvasques@hvs.com.
Pedro Cypriano, Consulting Director of HVS Sao Paulo, has extensive knowledge of the Latin American hotel market, as well as relevant experience in projects in Europa, Asia, and Africa. Over the past 10 years, Cypriano has been involved in more than 250 projects in global hospitality and tourism consultancies, and distinguished research institutes. As an executive of HVS, Pedro has led development plans for hotel chains, brand & management selection and contract negotiations, structuration of mixed-use complexes, business plans for investment funds, as well as hundreds of market studies, valuation and feasibility analysis for hotels and resorts. He is the author of the book "Hotel Development in Brazil: market overview and perspectives", published by Senac, and guest panelist of leading universities. Pedro has a MBA from Insper Business School, a Master degree in Hotel Development from University of Alicante (Spain), a specialization in Finance from Saint Paul Business School and a Bachelor degree in Tourism from University of Sao Paulo (USP). Contact: pcypriano@hvs.com.

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